Sábado, 14 de Fevereiro de 2009

Arqueologia - Tempo - Espaço

Em resposta a uma proposta/desafio [demasiado duro, discutível e vasto] que me foi feita pelo Arks há umas semanas, escrever acerca da: Relação da Arqueologia com o Tempo e o Espaço e qual o valor e abrangência de cada uma das premissas…

Cá vai um texto em género de esquisso [sem nada de transcendente ou novo]... apenas para ver se mais alguém se pronuncia acerca destas relações e se um dialogo acontece…

Arqueologia: do Gr. archaíos, antigo + lógos, tratado

s. f., ciência que tem por objecto o estudo dos vestígios das antigas civilizações;
ciência da antiguidade.


Tempo: do Lat. tempus

s. m., duração limitada, por oposição à ideia de eternidade;
período;
época;
sucessão de anos, dias, horas, momentos, que envolve, para o homem, a noção de presente, passado e futuro;
meio indefinido onde se desenrolam, irreversivelmente, as existências na sua mutação, os acontecimentos e os fenómenos na sua sucessão;
certo período determinado em que decorre um facto ou vive uma personagem;
oportunidade;
ensejo;
estação ou ocasião própria;
prazo;
duração;
estado atmosférico;

Mús., cada uma das partes completas de uma peça musical, em que o andamento muda;
duração de cada parte do compasso;

Gram., flexão indicativa do momento a que se refere o estado ou a acção dos verbos.

Espaço: do Lat. spatiu

s. m., extensão indefinida;
vácuo situado além da atmosfera da Terra, onde se encontram todos os corpos celestes do Universo;
área;
duração;
demora;
adiamento, prorrogação;
porção de tempo entre dois limites, prazo;

Mús., intervalo de uma linha a outra na pauta musical;


Arqueologia, tempo e espaço, são três conceitos cuja ambiguidade é cada vez mais evidente, mas cuja relação é inequívoca, e, sobretudo, Tempo e Espaço podem por si sós ser o objecto (ou objectivo?!) da prática arqueológica.

Assumindo então esta(s) relação(ões) como constantes e indissociáveis, isto é, que em última instância, ou mesmo única, a Arqueologia (ou Arqueologias?!) é tempo-espaço / espaço-tempo, que é então a relação de grandeza e/ou de preponderância de um e de outro na prática e na vivência desta ciência (social e humana, mas também física, química e numérica) multidisciplinar?

Comecemos então pela procura de definir, na medida do possível e mediante as limitações do autor desta reflexão, Tempo e Espaço na/da arqueologia e na concreta realização da mesma.
O Tempo da/na arqueologia pode, numa primeira impressão, ser definido como o tempo do estudo de passados mais ou menos longínquos, desde a Pré-história até ao passado recente… mas, isto é demasiado redutor e falacioso, pois o tempo arqueológico é também, e talvez sobretudo, o do Presente, aquele em que o estudo arqueológico tem lugar, aquele em que a leitura e interpretação das evidencias arqueológicas são realizadas pelo Arqueólogo (segundo as suas convicções, acções, princípios, objectivos, etc.) perante os seus pares e perante a sociedade presente, sendo portanto tempos e não tempo, em que um tempo passado é interpretado à luz de um tempo presente e, ainda, passível de ser reinterpretado num tempo futuro, isto porque em arqueologia há que ter a consciência que lidamos com verdades relativas e restritas ao(s) momento(s) da sua concepção.

Aconteceu no paragrafo anterior, com plena consciência por parte do autor de tal facto, que na tentativa de circunscrever o conceito de tempo arqueológico tenhamos caído num dos espaços da realidade da actividade arqueológica: o Arqueólogo!

Este é, incontornavelmente, um dos principais actores do(s) espaço(s) arqueológicos, mas não o único evidentemente, e nem seque o primeiro no tempo (na cronologia) espacial (físico) do acontecimento e do saber arqueológicos.

O primeiro espaço é, precisamente, o da acção acontecida (acção antropológica – humana) e dos registos materiais por esta acção (momento(s)) preservados (ruína/estruturas positivas e/ou negativas, fragmentos cerâmicos, líticos, osteológicos, etc). O segundo espaço é o da intervenção arqueológica (escavação), seja ela com carácter de emergência ou de investigação académica, onde através da exumação da materialidade que restou (sempre uma ínfima parte da que existiu, o que trunca realidades) e do registo (o mais cuidado e exaustivo possível – assim se espera pois a intervenção arqueológica é irreversível por natureza) momento em que o arqueólogo e a sua equipa, através do seu conhecimento e saberes (aqui conhecimento e saber são eles mesmos espaços mas de características metafísicas) começam a esboçar a (re)criação do espaço-tempo que havia sido o da materialidade e das evidencias antes da sua exumação, espaço-tempo este que ganha forma (se bem que sempre com consciência da sua relatividade) no espaço (-tempo) dos estudos de gabinete, nas análises e caracterização das evidencias…

Pode-se então concluir pelo que até aqui foi exposto que Tempo e Espaço são de valor e valência equivalente da/na prática arqueológica, não sendo também passíveis de estancar um do outro? Sou peremptório a afirmar que sim!

E no que à escala de ambos diz respeito, Espaço-Tempo arqueológicos serão de uma vastidão e amplitude tais capazes de abarcar no seio desta ciência tempo e espaços do(s) passado(s), do agora e do devir (que virá a tornar-se Presente e Passado)? Julgo que tal é uma combinação inconcebível (megalómana) e até potencialmente descredibilizadora para a Arqueologia, preferindo crer que o espaço-tempo / tempo-espaço do conhecimento arqueológico são limitados ao do seu Presente sócio-cultural e ao dos indivíduos intervenientes na (re)criação deste(s) saber(es), cuja factualidade, deve ser, como já anteriormente referido, assumida como relativa e restrita às convicções, moral, valores, técnicas, tecnologias e sociedade do presente (sublinhando e/ou retorquindo estas premissas e quesitos), e, esperando-se que seja capaz de a esta mesma sociedade oferecer algo trabalhando e contribuindo activamente para a sua melhoria a nível cultural social e mesmo económico, não se refugiando num discurso “caro” por debaixo de um chapéu de linguagem meramente elitista (cientifica?!) que a torne de tal modo fechada que deixa mesmo de ser ciência (social e humana) correndo o risco de tornar-se num placebo e num recreio (pseudo)intelectual, uma entidade morta e (ultra)passada no tempo e no espaço humanos…

"(...)
quantos sou?
(...)" F. Pessoa

Texto por: Mauro Correia; Cuba, Alentejo, 14 de Fevereiro de 2009
definições de dicionário em: http://www.priberam.pt/dlpo/dlpo.aspx

Quinta-feira, 15 de Janeiro de 2009

Desafio aos membros | "acompanhamento"

Agora que começo (bem como boa parte dos membro deste blogue) a provar aquilo que é (pode ser) o mundo da arqueologia (enquanto actividade laboral), venho desafiar-vos à revitalização do Arkstratum como espaço para as nossa reflexões, duvidas, metas alcançadas e, e sobretudo, troca de experiências/questões arqueológicas....

Vamos a isto? [aguardo resposta... gente!]

Cá vai então e exemplo:
Hoje, esta manha, pela primeira vez na minha de arqueólogo [não arranjei melhor palavra, mas não sou ainda arqueólogo, tenho apenas a licenciatura], fiz aquilo a que se pode chamar de acompanhamento, no caso não num contexto propriamente de obra, mas na abertura de valas de sondagem com recurso a máquina. Procedi à orientação (para já) da abertura de 5 sondagens de 4 por 1 metro [em jeito de nota de roda pé: todas elas estéreis em termos de relevâncias e espólio arqueológico... haja galo!] e ao resgisto fotografico (achuva não permitiu que nada mais fosse feito).
Estava receoso... porra, um tipo dentro duma retro-escavadora que se lhe desse na gana podia abrir as sondagens à bruta e sempre a aviar, sem permitir verificar da existência de espólio ou estratos arqueológicos ou respeitar os limites das sondagem, etc... felizmente assim não aconteceu, o dialogo e entendimento com o manobrador da máquina e com o trabalhador que me prestava auxilio (Sr. Augusto e Sr. Eugénio respectivamente)... unico momento de "panico", aquele em que feito idiota (distraido) quase me coloquei no caminho da pá da maquina para endireitar os limites da sondagem... algo me diz que teria doído...!

Terça-feira, 2 de Dezembro de 2008

Vale do Côa: 10 Anos de Património da Unesco

Porque acho importante relembrar da importância do Vale do Côa enquanto património de que toda a comunidade (e não só a arqueológica) se deveria honrar, não podia deixar passar sem referir mais uns quantos textos "jornalísticos" tendenciosos a cerca deste patromónio e a resposta/opinião de AMB acerca dos mesmo:

http://dafinitudedotempo.blogspot.com/2008/12/vale-do-ca-no-pblico-tempo-de-balano.html
(clicar para aceder aos textos)

Tiremos, cada um em consciência, as nossas conclusões e, sobretudo, ponhamos as nossas duvidas e questões.

Terça-feira, 30 de Setembro de 2008

...

A (quase) todos os recém licenciados em arqueologia da FLUP, três deles membros deste blogue, deixo as minhas felicitações!

Sábado, 23 de Agosto de 2008

Topógrafos...

E o que eu acho sobre eles,

O topógrafo é alguém que sabe apenas da sua arte,
Mais ninguém é suposto sabê-la...
E mesmo que alguém que não seja um topógrafo perceba de topografia,
eles vão considerar esse alguém, como alguém que não sabe nada de topografia.
Só o topógrafo é digno da arte da topografia.

O topógrafo venera apenas um Deus, o Deus do Prumo.
É esse o Deus que lhes mantém o emprego, é esse o Deus que eles aprumam!
Sem esse Deus haveria erros na topografia de 2 milímetros num quilometro.
Inconcebível! Ainda bem que há um Deus que os beneficia.

O topógrafo é dono de material para o qual, o homem comum não foi designado a perceber.
Só eles sabem os botões em que carregar, embora nem eles saibam para que servem os botões.
Apenas sabem que é preciso carregar no botão! Essa é a arte que só o topógrafo domina.
A arte de carregar no botão.

Nunca coloquem um topógrafo numa posição que não a de um topógrafo. Sobretudo senão houver botões! 

O topógrafo é dono de material apenas para ele criado. Tudo o que ele usa é feito para topógrafos. Tudo é material "de topógrafo". O que não for, é para eles indigno de ser usado.

O topógrafo faz o que mais ninguém faz, e de certo muita gente gostaria de fazer, passa o dia a espreitar.

O topógrafo é o ultimo de uma raça de valentes que desafia a intempérie, e defende a estação, como quem defende a vida com uma espada. Não há sol, chuva ou neve que os faça parar de trabalhar.

O topógrafo é também o ultimo dono de escravos de todo o mundo. Que o Deus do Prumo o livre de se sacrificar para segurar o prisma. Isso é uma tarefa indigna e passível de o expulsar da ordem dos topógrafos.

O topógrafo venera a topografia, e todos os dias de manhã faz as suas preces,

"Ser topógrafo é ser mais alto, é ser maior do que os outros, aprumar como quem apruma, é ser especialista como quem seja, rei do reino do prisma e do computador!

E é cotar-te assim infinitamente, e é aprumar-te melhor que ninguém e dize-lo gritando aprumadinho!"

Quarta-feira, 9 de Julho de 2008

Introspectivas...

Interpretar sobre uma preexistência significa compreender esta entidade, respeitando-a enquanto valor a preservar e a projectar sobre o futuro, sem que isso conduza à sua destruição...


Terça-feira, 8 de Julho de 2008

Petição


Petição em defesa da biblioteca do ex-IPA (Instituto Português de Arqueologia):
http://www.petitiononline.com/biblipa/petition.html

assinem por favor... vamos fazer barulho!