Sábado, 8 de Dezembro de 2007

A origem da Mudança...

A um nível mais elementar, a expressão ter necessidade de exprime uma situação de tensão ou um sentimento de falta resultante de um desiquilíbrio.
A Necessidade é geralmente apresentada como o motor de toda a actividade económica. Seja qual for o tipo de necessidade, determinada, condicionada ou, mesmo, orientada por uma série de factores de ordem social, ou económica, esta é sempre um produto social.

As necessidades nem por isso são dados que se possam inventariar objectivamente, sendo muitas vezes sentidas por motivos subjectivos afastados do seu objecto.

Os fenómenos de consumo ostentativo, a título de exemplo, mostram que as necessidades remetem para outras coisas que não simplesmente os objectos materiais que são os seus suportes (A Vontade). Satisfazer uma necessidade é muitas vezes comprar um sinal de pertença a uma categoria social (Baudrillard 1972).

No que concerne a Vontade, também apelidada de querer, esta designa um dinamismo próprio do espírito humano, dirigido para a realização plena da sua natureza, e que forma, juntamente com o conhecimento superior, os dois modos fundamentais de actividade espiritual .

A experiência pessoal e sobretudo a investigação laborial levam-nos à persuasão de que, na actividade chamada voluntária, entram elementos e factores orgânicos, elementos psicológicos e sociológicos.

Do ponto de vista sociológico, a vontade é apenas uma obediência passiva. Só uma pequena élite consegue criar representações novas, sínteses originais de conceitos e imperativos colectivos, dando-se então a obediência do indivíduo a si mesmo, uma vez que criou os princípios da sua conduta. Deste modo, a actividade volutária supõe ordem e disciplina. Donde se segue que o espírito de submissão e o sentido de acção colectiva deverão intervir no cultivo da vontade, como elementos importantes.

Contudo, falar em MUDANÇA implica assinalar o que permanece estável, pois é em função do mesmo que se podem medir as alterações...

As mudanças concretas no sistema dos significados culturais estão ligadas, por um lado, quer devido a fenómenos naturais (a necessidade), quer devido aos efeitos do próprio agir sob determinadas condições (a vontade); por outro lado, o facto de a acumulação cultural da experiência colectiva, ou seja, a memória colectiva e a reflexão sobre esta, na medida em que permitem aprender a partir da expriência, através do reconhecimento dos erros e da sua correcção, são, por si mesmas, um factor de transformação.

Assim, as mudanças das formas naturais nascem não só da exigência da adaptação das mediações simbólicas a novas condições exteriores, mas podem ser resultado de uma criatividade que, emergindo, no interior da cultura, produz, por si só, efeitos de mudança...

Deste modo se evidencia a interdependência entre ambos os conceitos, isto é, o facto de nenhuma destas duas dimensões poder ser considerada como determinante da outra, mas antes, na circularidade das suas relações recíprocas, cada uma poder ser considerada, ao mesmo tempo como causa e efeito da outra.

Contudo, no âmbito do exemplo trazido à luz da discussão pelo Gustavo, gostaria de mencionar alguns aspectos, creio que no caso de um amuralhamento a necessidade será a causa e o efeito a vontade, isto é, o esforço dispendido por um comunidade na construção de uma muralha não confere um item de simbolismo paisagístico mas de necessidade, visto que o simbólico surge como fundamentação da acção construtiva, cujo motivo poderá ser defensivo ou outro... Por fim, "cada sitio é um sitio" mas as pessoas são humanas e como tal as necessidades e as vontades são semelhantes, pelo que podem ser aprioradas a qualquer momento... Dig local, think global (Orser)

4 comentários:

Mauro disse...

"(...)falar em MUDANÇA implica assinalar o que permanece estável(...)"

Julgo ser neste ponto que assenta toda esta questão. no entanto, julgo que o conceito de "estável" - no que a sociedades (homem) diz respeito - é algo que pode despontar outra questão: há momentos de estabilidade social total? - para que a mudança não seja a norma, mas e excepção - como se quer fazer parecer?!...

ArkS disse...

Ao se analisar tudo o que promove a mudança, primeiramente tens de identificar o que não mudou, isto é,o "que permanece estável". Assim, identificas a mudança.
No que concerne a questão que levantas, creio que existam momentos de "estabilidade", basta olhares para os saltos temporais que existem entre os vários periodos históricos...

Mauro disse...

Mas os períodos históricos e seus saltos são uma criação à posteriori dos acontecimentos?! ou não?

ArkS disse...

A Classificação de um Período Histórico e o seu "salto" são sempre criações à posteriori dos acontecimentos. Visto que a detecção de um mudança de comportamentos,é sempre uma análise efectuada sobre o tempo corrido e não aquando a acção, dado que a acção poder-se-á manifestar a médio e longo prazos.